Huang et al. (2017): quem pergunta mais, sobretudo perguntas de continuidade, é mais querido
- Referência
- Huang K, Yeomans M, Brooks AW, Minson J, Gino F. It doesn't hurt to ask: Question-asking increases liking. Journal of Personality and Social Psychology 113(3):430–452, 2017. Dados e código: https://osf.io/8k7rf/ Abrir o estudo (abre em outra aba)
- Verificação
- Lido no original em 20/10/2026.
- Por que moderada
- Dois experimentos aleatorizados com conversas reais (398 e 338 pessoas) e efeito replicado, mas pequeno (d de 0,27 a 0,35), em chat de texto entre desconhecidos; a parte de speed dating, com 110 pessoas, é correlacional.
- Amostra
- Estudo 1: 398 pessoas (199 duplas) num laboratório de universidade americana. Estudo 2A: 338 pessoas (169 duplas) do Amazon Mechanical Turk. Estudo 2B: 612 observadores do MTurk que leram as conversas. Estudo 3: 110 pessoas em três eventos de speed dating (dados de Jurafsky e colegas), com 1.961 encontros de 4 minutos. Não é representativa da população.
- Desenho
- experimento
- País e período
- EUA · não informado no texto lido
- Financiamento e conflito de interesse
- Acadêmico (Harvard); o artigo não declara financiamento nem conflito.
O que mediu
Em chats de 15 minutos entre desconhecidos que deviam "se conhecer", os autores sortearam quem faria muitas perguntas (pelo menos nove) ou poucas (no máximo quatro) e mediram quanto o outro gostou de quem perguntava. Depois classificaram o tipo de cada pergunta e testaram a pergunta de continuidade (follow-up, a que retoma o que o outro acabou de dizer) num banco de speed dating, com o desejo de um segundo encontro como desfecho.
Achados
- 398 pessoas, 199 duplasAmostra do Estudo 1
"These exclusions left a sample of 398 participants (194 male, 204 female), or 199 dyads, for our analyses."
Onde: Estudo 1, Participants (p. 433)
- pedir pelo menos nove perguntas contra no máximo quatroManipulação
"In the many-questions condition, one participant in each dyad was told that he or she needed to ask "at least nine questions.""
Onde: Estudo 1, Design and procedure (p. 434)
- 5,79 contra 5,31Gosto pelo parceiro que perguntou muito contra pouco (escala de 1 a 7)
"participants paired with high question-askers liked their partners more (M ⫽ 5.79, SD ⫽ 1.21) than did participants paired with low question-askers (M ⫽ 5.31, SD ⫽ 1.48)"
Onde: Estudo 1, Liking (p. 434)
- d = 0,35Tamanho do efeito no Estudo 1
"t(197) ⫽ 2.47, p ⫽ .014; Cohen's d ⫽ .35"
Onde: Estudo 1, Liking (p. 434)
- 6,02 contra 5,79; d = 0,27Replicação com as duas pessoas sorteadas (Estudo 2A)
"participants liked high question-askers (M ⫽ 6.02, SD ⫽ .74) more than low question-askers (M ⫽ 5.79, SD ⫽ .97; HLM:  ⫽ .28, SE ⫽ .09), t(306) ⫽ 3.13, p ⫽ .001, Cohen's d ⫽ .27"
Onde: Estudo 2A, Liking (p. 436)
- nãoQuem perguntava previa esse efeito?
"This (null) result suggests that individuals do not anticipate that a higher rate of question asking will lead to an increase in liking."
Onde: Estudo 1, Predicted liking (p. 434)
- nãoObservadores de fora gostaram mais de quem perguntou muito?
"third-party observers did not like high question-askers more than low question-askers."
Onde: Estudo 2, Discussion (p. 438)
- 40,51%Parte das perguntas que eram de continuidade (Estudos 1 e 2A)
"Follow-up questions were the most common, comprising 40.51% of all questions"
Onde: Classification Results (p. 438–439)
- só a de continuidadeTipo de pergunta que previu o gosto do parceiro
"We also find that follow-up questions alone predicted increased partner liking."
Onde: Classification Results (p. 439)
- cento e dez pessoas em três eventosSpeed dating: amostra
"One hundred ten men and women were gathered in three different speed-dating sessions."
Onde: Estudo 3, Method (p. 440)
- 8% a mais de perguntas de continuidade ≈ um encontro a mais a cada 20Speed dating: taxa de perguntas de continuidade e segundo encontro
"The regression estimates imply that an 8% difference in follow-up question rates in this sample is associated, on average, with success on one additional date over an evening of 20 speed dates."
Onde: Estudo 3, Discussion (p. 441)
O PDF do editor sai do pdftotext com o sinal de igual como "⫽" e o beta como ""; os Trechos copiam o texto extraído como ele sai.
Limitações
- O que a Dica afirma tem apoio: perguntar mais, e sobretudo perguntar em cima do que o outro disse, aumentou o gosto do parceiro em dois experimentos. Mas o efeito é pequeno (d de 0,27 a 0,35, numa escala de 1 a 7) e foi medido em chat de texto de 15 minutos, entre desconhecidos, sem interesse romântico.
- A única evidência num encontro romântico é o speed dating, que é correlacional: "Of course, one cannot interpret this relationship causally." Ao controlar o quanto cada pessoa já era desejada, o peso das perguntas cai (p. 441).
- O efeito de continuidade não foi sorteado: os autores sortearam só o número de perguntas e classificaram o tipo depois.
- Os autores supõem que o efeito tenha limite: "it may be the case that one can ask too many questions, annoying the conversation partner while not revealing sufficient information about oneself." Ninguém testou os extremos.
- Amostras americanas de laboratório e do MTurk, sem idade relatada no texto lido.
- Francesca Gino, uma das autoras, teve outros artigos retratados por suspeita de fraude a partir de 2023. Não achei correção nem retratação deste (busca em 2026-10-20), e os dados estão abertos no OSF.
Citada em
Nenhum Guia nem Dica publicada cita esta Ficha ainda.
Como ler
- lido no original
- os números foram conferidos no texto completo do estudo.
- parcial
- conferido no resumo ou na página oficial, não no texto completo.
- não verificado
- ainda não conferido na fonte. Não sustenta nenhum Guia.
- forte
- amostra grande e representativa, replicado ou meta-análise.
- moderada
- bom desenho, mas uma amostra só, um retrato num momento ou um viés conhecido.
- fraca
- amostra pequena, não representativa, comercial ou com conflito de interesse.