Boothby et al. (2018): depois de conversar, a gente acha que o outro gostou menos do que gostou
- Referência
- Boothby EJ, Cooney G, Sandstrom GM, Clark MS. The liking gap in conversations: Do people like us more than we think? Psychological Science 29(11):1742–1756, 2018. Dados: https://osf.io/dw5fm/ Abrir o estudo (abre em outra aba)
- Verificação
- Lido no original em 20/10/2026.
- Por que moderada
- Cinco estudos com o mesmo resultado, um deles acompanhando colegas de alojamento por um ano letivo, mas cada amostra é pequena (36 a 102 pessoas) e de conveniência, quase toda de universitários.
- Amostra
- Estudo 1a: 36 pessoas da comunidade perto de Yale, em duplas do mesmo sexo. Estudo 2: 84 alunos e recém-formados de Yale. Estudo 3: 102 pessoas do laboratório de Harvard, duplas mistas. Estudo 4: 100 participantes de oficinas 'How to Talk to Strangers' no Reino Unido. Estudo 5: 102 calouros de Yale que dividiam alojamento, em cinco ondas. Não é representativa da população.
- Desenho
- transversal (um retrato num momento)
- País e período
- EUA, Reino Unido · não informado no texto lido; o Estudo 5 vai de setembro de 2016 a maio de 2017
- Financiamento e conflito de interesse
- Financiado pela Templeton Foundation e pelo Economic and Social Research Council (Reino Unido); os autores declaram não ter conflito de interesse.
O que mediu
Desconhecidos conversaram (de 5 minutos a 45 minutos) e depois cada um disse quanto gostou do outro e quanto acha que o outro gostou dele. Como em média as duas notas deveriam ser iguais, a diferença entre elas mede o erro, que os autores chamam de liking gap. O último estudo repetiu as perguntas com colegas de alojamento ao longo de um ano letivo.
Achados
- 5,82 contra 5,17Estudo 1a: quanto gostou do outro contra quanto acha que o outro gostou (escala de 1 a 7)
"liking their conversation partner (actual: M = 5.82, 95% CI = [5.49, 6.14]) significantly more than they perceived their conversation partner to like them (perceived: M = 5.17, 95% CI = [4.85, 5.49])"
Onde: Estudo 1a, Results (p. 1744)
- simQuem é mais tímido erra mais?
"The shyer participants were, the greater their liking gap was."
Onde: Estudo 1a, Personality moderators (p. 1744)
- sim; quem conversou não o usouEstudo 1b: o sinal de gostar estava visível para observadores
"participants did signal that they liked one another, but participants neglected this information when estimating how much their conversation partners liked them."
Onde: Estudo 1b, Results (p. 1746)
- b = −0,57Estudo 2 (conversa livre): diferença entre gostar e achar que gostaram
"rating type was a significant predictor of liking, b = −0.57, SE = 0.07"
Onde: Estudo 2, Results (p. 1747)
- de 2 a 45 minutosEstudo 3: duração das conversas
"Overall, participants' conversations lasted anywhere from 2 min to 45 min"
Onde: Estudo 3, Results (p. 1748)
- b = −0,38Estudo 3: diferença no gostar
"rating type (actual or perceived) was a significant predictor of liking, b = −0.38"
Onde: Estudo 3, Results (p. 1748)
- b = −0,52Estudo 3: diferença em quanto curtiu a conversa
"rating type was a significant predictor of enjoyment, b = −0.52"
Onde: Estudo 3, Results (p. 1748)
- nãoEstudo 3: o erro some em conversas longas?
"the liking gap persisted no matter the length of the conversation."
Onde: Estudo 3, Results (p. 1748)
- 4,30 contra 3,61Estudo 4 (oficinas no Reino Unido): quão interessante achou o outro contra quão interessante acha que pareceu (escala de 1 a 5)
"(actual: M = 4.30, 95% CI = [4.15, 4.44]) than they thought their conversation partner had found them (perceived: M = 3.61"
Onde: Estudo 4, Results (p. 1750)
- b = −0,36Estudo 5 (colegas de alojamento): diferença no ano todo
"rating type (actual or perceived) was a significant predictor of liking, b = −0.36"
Onde: Estudo 5, Results (p. 1752)
- sumiuEstudo 5: o erro na última medida (maio)
"Rating type was not a significant predictor of liking at the final time point, Time 5 (p = .87)."
Onde: Estudo 5, Results (p. 1752)
Limitações
- A Dica ("você provavelmente acha que a conversa foi pior do que foi") tem apoio nos cinco estudos. A "replicação" está dentro do mesmo artigo, com amostras pequenas de conveniência; esta Ficha não conferiu replicações de outros grupos.
- Nenhum estudo é de encontro romântico. Os Estudos 1a e 2 usaram duplas do mesmo sexo; o 3 incluiu duplas mistas, mas a conversa era de laboratório, sem interesse romântico declarado.
- O tamanho do erro é modesto: de 0,36 a 0,65 ponto numa escala de 1 a 7, conforme o estudo. No Estudo 1a, quem tinha pouca timidez não errou de forma significativa.
- O Estudo 5 mostra que o erro dura meses, mas some no fim do ano letivo, quando as pessoas já se conhecem bem.
- A explicação (pensamentos autocríticos depois da conversa) vem de uma mediação estatística no Estudo 2, não de um experimento.
Citada em
Nenhum Guia nem Dica publicada cita esta Ficha ainda.
Como ler
- lido no original
- os números foram conferidos no texto completo do estudo.
- parcial
- conferido no resumo ou na página oficial, não no texto completo.
- não verificado
- ainda não conferido na fonte. Não sustenta nenhum Guia.
- forte
- amostra grande e representativa, replicado ou meta-análise.
- moderada
- bom desenho, mas uma amostra só, um retrato num momento ou um viés conhecido.
- fraca
- amostra pequena, não representativa, comercial ou com conflito de interesse.